Entre 1981 e 1987, a CET-SP desenvolveu o Controlador Eletrônico de Tráfego, o primeiro sistema brasileiro de sincronização de semáforos por microprocessador. O projeto reduziu congestionamentos, consumo de energia e emissões de CO₂ nas grandes cidades.
Com tecnologia 100% nacional, o sistema usava microcontroladores, relés de estado sólido e sensores de fluxo. Sua durabilidade, eficiência e fácil manutenção tornaram-no referência em automação urbana e sustentabilidade. O projeto formou engenheiros e abriu caminho para os atuais semáforos inteligentes.
Durante a década de 1980, o Brasil protagonizou uma revolução silenciosa no campo da eletrônica aplicada à mobilidade urbana. Engenheiros da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) desenvolveram o Controlador Eletrônico de Tráfego — o primeiro sistema nacional baseado em microprocessadores para sincronização e automação de semáforos. O projeto reduziu congestionamentos, economizou energia e tornou-se modelo para dezenas de cidades latino-americanas.
Com o crescimento acelerado da frota de veículos na década de 1970, as grandes cidades brasileiras enfrentavam congestionamentos e poluição crescentes. Os controladores eletromecânicos usados nos cruzamentos eram imprecisos, caros e de difícil manutenção. A CET-SP, criada em 1976, propôs um sistema eletrônico que substituísse os antigos temporizadores por circuitos digitais programáveis.
O objetivo era integrar engenharia de tráfego, eletrônica e computação — criando uma infraestrutura inteligente e 100% nacional para gerenciar o fluxo urbano de veículos e pedestres.
O primeiro protótipo foi construído em 1981, com base em um microcontrolador Intel 8085 e módulos de tempo ajustáveis. A equipe liderada por Eng. José de Almeida Prado e Eng. Milton Polleti desenvolveu um software residente em memória EPROM capaz de controlar tempos semafóricos, transições e falhas elétricas. Em 1984, os primeiros testes foram implantados em corredores viários de São Paulo, com resultados imediatos: redução de 15% no tempo médio de espera e queda de 20% no consumo energético.
O sucesso levou à fabricação em escala pela indústria nacional, com suporte técnico da Itelco e da Edisa, duas empresas brasileiras de automação eletrônica.
O Controlador Eletrônico de Tráfego CET-SP era composto por três unidades principais:
O sistema era programável para até 64 fases de operação e podia ser sincronizado com outros semáforos via linha de dados ou rádio. Cada controlador possuía uma memória não volátil que armazenava dados de falha e estatísticas de tráfego, algo inédito para a época.
O controlador eletrônico permitiu sincronizar corredores inteiros de avenidas, ajustando o tempo dos semáforos conforme o fluxo real de veículos. Essa automação reduziu o tempo de parada, o consumo de combustível e a emissão de CO₂. Estudos da CET-SP apontam que, nos anos 1980, a adoção dos controladores digitais reduziu em até 30% o tempo total de travessia em avenidas com alto volume de tráfego.
Além disso, o sistema aumentou a segurança viária, com resposta mais rápida a falhas e melhor sincronização entre sinais de pedestres e veículos. O modelo paulista foi posteriormente replicado em cidades como Curitiba, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte.
Os equipamentos eram construídos com caixas de alumínio fundido e placas de circuito impresso em fibra de vidro, garantindo alta resistência a intempéries. Os componentes eletrônicos — microchips, relés de estado sólido e cabos de poliuretano — podiam operar sob temperaturas de -10 °C a +70 °C. A vida útil estimada superava 10 anos, e o consumo elétrico por unidade era inferior a 25 W, muito abaixo dos modelos importados.
O impacto ambiental positivo foi expressivo. A sincronização de semáforos reduziu o tempo de marcha lenta dos veículos, diminuindo emissões de gases de efeito estufa e ruído urbano. Estima-se que, entre 1985 e 1990, o sistema tenha economizado mais de 50 milhões de litros de combustível na cidade de São Paulo. Além disso, a substituição de relés mecânicos por dispositivos eletrônicos reduziu o descarte de metais pesados e óleos isolantes.
O projeto do Controlador Eletrônico de Tráfego formou gerações de engenheiros em automação urbana, eletrônica e telecomunicações. Inspirou o desenvolvimento de sistemas inteligentes de transporte (ITS) e pavimentou o caminho para os atuais semáforos conectados e sensores IoT urbanos. Sua arquitetura modular e durável é considerada um exemplo de design sustentável e engenharia aplicada ao bem público.
O Controlador Eletrônico de Tráfego da CET-SP é uma das maiores contribuições do Brasil à engenharia urbana moderna. Sua combinação de eficiência, baixo custo e durabilidade o tornou um modelo de sustentabilidade e inteligência aplicada às cidades. O Museu Virtual do Eletrônico da Ecobraz registra esse marco como símbolo do poder da inovação nacional em transformar a vida cotidiana e o ambiente urbano.
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