Durante o “Dia da Saúde” na COP30, a OMS e a OIM apresentaram dados alarmantes: milhões já sofrem com doenças e deslocamentos climáticos. O Brasil lançou o programa Amazônia Saudável para monitorar riscos ambientais e doenças emergentes. A Ecobraz destacou o papel da economia circular na prevenção de riscos à saúde por meio da reciclagem de eletrônicos e educação ambiental.Clima afeta saúde e migração, alerta COP30
Belém (PA), 12 de novembro de 2025 — A Conferência do Clima da ONU (COP30) dedicou o dia de hoje ao tema “Saúde, Migração e Mudanças Climáticas”. Pesquisadores, ministros e representantes de agências internacionais apresentaram evidências de que o agravamento da crise climática já está impactando sistemas de saúde, segurança alimentar e deslocamentos populacionais em escala global.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou durante o evento o relatório “Health in a Warming World”, que mostra que cerca de 250 mil mortes adicionais por ano podem ocorrer entre 2030 e 2050 devido a doenças associadas ao calor, subnutrição e dengue. A diretora da OMS, Maria Neira, afirmou: “A crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde. Não há futuro saudável em um planeta doente”.
O documento também detalha o aumento de surtos de doenças respiratórias e infecções tropicais em regiões antes consideradas de baixo risco. A combinação entre altas temperaturas, poluição atmosférica e inundações recorrentes cria um cenário de vulnerabilidade extrema.
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 35 milhões de pessoas foram deslocadas em 2024 por motivos climáticos. O número tende a crescer, podendo atingir 200 milhões até 2050 se não houver políticas robustas de adaptação. O representante regional da OIM para a América do Sul destacou que “o deslocamento não é mais uma previsão, é uma realidade presente em toda a Amazônia”.
O painel da tarde contou com a participação de ministros de países latino-americanos e africanos, que defenderam a criação de um Fundo Global para Migrações Climáticas, destinado a financiar reassentamentos sustentáveis e infraestrutura sanitária em áreas afetadas.
O governo brasileiro apresentou o Programa Amazônia Saudável, que prevê a implantação de unidades móveis de saúde ambiental e vigilância epidemiológica em regiões ribeirinhas. A proposta inclui parcerias com universidades públicas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para monitorar doenças emergentes relacionadas ao clima.
Segundo o Ministério da Saúde, o programa será financiado parcialmente por recursos do Fundo Amazônia e busca integrar dados climáticos com informações epidemiológicas para prevenir surtos.
O Painel de Cidades Saudáveis destacou que a urbanização desordenada é um fator agravante para doenças associadas ao calor e à má qualidade do ar. Estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) apontam que a ausência de áreas verdes e a concentração de resíduos sólidos elevam em até 25% os riscos de doenças respiratórias em grandes metrópoles brasileiras.
Para enfrentar esse cenário, especialistas defendem uma abordagem integrada que inclua gestão de resíduos, arborização urbana e incentivo à mobilidade elétrica. O setor de reciclagem, por exemplo, tem sido apontado como vetor de mitigação indireta de riscos sanitários.
Durante um painel paralelo, representantes da Ecobraz apresentaram experiências de educação ambiental e reciclagem de eletrônicos como parte de uma estratégia de prevenção em saúde. A reutilização de materiais reduz a contaminação por metais pesados e contribui para ambientes urbanos mais limpos e resilientes.
O modelo apresentado enfatiza a conexão entre economia circular e bem-estar populacional — uma visão coerente com o tema da COP30 de integrar saúde e meio ambiente.
De acordo com o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), o aumento médio da temperatura global em 1,5 °C pode gerar ondas de calor extremo em 70% das grandes cidades tropicais. Esse fenômeno, combinado com secas e enchentes, pressiona ainda mais os sistemas de saúde e migração.
O Brasil e outros países da América Latina insistiram que os fundos climáticos precisam priorizar infraestrutura hospitalar resiliente e políticas de habitação verde, capazes de reduzir riscos sanitários e migratórios simultaneamente.
O encerramento do dia contou com a assinatura da Declaração de Belém sobre Saúde Climática, documento que une 48 países em torno de metas conjuntas de vigilância epidemiológica, educação ambiental e troca de tecnologia médica sustentável.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) elogiou a iniciativa e destacou a importância da capacitação local. Escolas técnicas e universidades deverão integrar conteúdos de sustentabilidade e saúde ambiental nos currículos até 2030.
O “Dia da Saúde e Migração” na COP30 consolidou a visão de que o clima, a saúde e os direitos humanos estão interligados. O desafio, segundo especialistas, será transformar as promessas em políticas concretas. No contexto latino-americano, a cooperação regional e o fortalecimento de ações locais — como as promovidas pela Ecobraz — serão essenciais para proteger vidas e comunidades nos próximos anos.
Redação: Ecobraz Informa — Jornal da Ecobraz. Fontes: OMS, OIM, OPAS, IPCC, Ministério da Saúde, ONU Clima.