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No ano 2000, antes do iPod e do Bluetooth, o Empeg Car (ou Rio Car) permitia levar milhares de músicas no carro. Como? Ele tinha dois Discos Rígidos (HDs) de computador dentro dele e rodava o sistema Linux.
Discos rígidos são peças delicadas. Se baterem enquanto funcionam, quebram.
Dentro desses HDs velhos existem ímãs superpotentes feitos de Neodímio (Terras Raras). Eles são valiosíssimos para a indústria hoje. A Ecobraz desmonta esses aparelhos para salvar esses ímãs, em vez de triturar tudo.
O aparelho usa capacitores de metal Tântalo. Eles são melhores que os comuns, mas quando falham, podem pegar fogo. É um lixo eletrônico "de luxo" que exige cuidado.
O Rio Car é um pedaço da história do Linux e do MP3. O Ecobraz Carbon Token financia a extração segura dos dados (destruição dos discos) e a recuperação dos metais raros que existem dentro dessa caixa preta revolucionária.
Linux na estrada, reciclagem na bancada. Acesse ecobraz.org.
Lançado em 2000, o Empeg Car (vendido depois como Rio Car) foi revolucionário. Enquanto CD players levavam 700MB de música, o Empeg levava até 60GB (milhares de músicas) em discos rígidos de laptop. Ele rodava uma versão customizada do kernel Linux e tinha um display VFD gráfico hipnótico. Foi o precursor dos sistemas de infotainment modernos, mas construído com hardware de computador padrão adaptado.
Para a Ecobraz, o Empeg é um estudo sobre Fragilidade Mecânica vs. Inovação. Discos rígidos não foram feitos para sofrerem forças G. A solução de engenharia para mantê-los funcionando gerou um dispositivo denso, pesado e complexo de reciclar.
Um disco rígido funciona com uma cabeça de leitura flutuando a nanômetros de um prato girando a 5400 RPM. Um buraco na rua é equivalente a um terremoto para esse mecanismo.
Cada unidade Empeg contém dois discos rígidos antigos.
Discos rígidos contêm os ímãs mais fortes disponíveis comercialmente: Neodímio-Ferro-Boro (NdFeB), usados para mover o atuador da cabeça.
Estratégia Ecobraz: Triturar HDs inteiros desperdiça esses ímãs (eles se quebram e grudam no aço triturado). A desmontagem manual para extração dos ímãs de Neodímio intactos é altamente rentável e ambientalmente crítica, pois a mineração de Terras Raras é ecologicamente custosa.
O Empeg usava um display VFD (Vacuum Fluorescent Display) verde ou azul brilhante. É uma tecnologia de tubo de vácuo, similar às válvulas antigas.
Burn-in (Queima de Fósforo):
Displays VFD têm vida útil limitada. O fósforo se desgasta, e os pixels mais usados ficam fracos. Diferente do LCD, o VFD contém metais pesados e vidro sob vácuo. O descarte exige cuidado para não implodir o tubo e liberar partículas de fósforo.
O aparelho foi desenhado para ser removido do carro e ligado ao PC via USB ou Ethernet para transferir músicas. Ele usava um "Sled" (gaveta) de metal com um conector de alta densidade na traseira.
Esses conectores de encaixe rápido sofrem abrasão mecânica a cada remoção ("Insertion Cycles"). No entanto, para garantir a conexão de dados e energia, eles possuem uma camada espessa de ouro nos pinos. Placas de backplane de Empeg são sucata de alto teor (High Grade) para recuperação de metais preciosos.
Sendo um dispositivo "High-End" e compacto, o Empeg usava capacitores de Tântalo (amarelos/laranjas) em vez de eletrolíticos baratos de alumínio.
O Tântalo é um metal de conflito e escasso. Recuperar placas com capacitores de Tântalo é vital. No entanto, se esses capacitores falham, eles tendem a entrar em curto e pegar fogo violentamente, diferente dos eletrolíticos que apenas vazam.
Como um PC, o Empeg tem um relógio de tempo real (RTC) mantido por uma bateria interna.
Essa bateria (geralmente uma célula de lítio soldada ou em soquete) está enterrada sob as camadas de blindagem e discos rígidos. Quando ela morre, o aparelho perde a hora e configurações. A troca exige desmontagem total, expondo o técnico ao risco de danificar os cabos flat (IDE) envelhecidos.
O Empeg Car provou que era possível levar toda a sua biblioteca musical para o carro, mas a um custo mecânico alto. Ele é um "tanque" de metal recheado de tecnologia sensível.
Para a Ecobraz, processar um MP3 player baseado em HDD é uma operação de segurança de dados (destruição física dos pratos do disco) e de recuperação estratégica de Terras Raras (ímãs) e Tântalo, materiais que definem a escassez da eletrônica moderna.
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