Tubaína, Locadoras e a "Sexta-Feira Sagrada"

A era de ouro do aluguel de fitas, o choque do Mortal Kombat e uma pergunta que não quer calar: para onde foi todo aquele lixo eletrônico?

Sergio Diniz - ecobrazinforma.org
21/01/2026 17h11 - Atualizado há 1 mês

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Crônicas do Museu

  • A Cultura das Locadoras: Sérgio relembra a era de ouro das locadoras de videogame, o ritual de rachar a hora com os amigos e a estratégia de alugar fitas na sexta para devolver na segunda.
  • Clássicos e Tubaína: Memórias de jogos como Super Mario World, Sonic e Streets of Rage, sempre acompanhados de tubaína e salgadinho.
  • O Choque Tecnológico: O impacto visual de Mortal Kombat e a lenda do Neo Geo, o console inalcançável cujos cartuchos custavam o preço de um Super Nintendo.
  • Reflexão Ambiental: Uma conexão entre o consumo do passado e a realidade atual: para onde foi todo o lixo eletrônico gerado naquela época de ouro?

Crônicas do Museu

Tubaína, Locadoras e a "Sexta-Feira Sagrada"

A era de ouro do aluguel de fitas, o choque do Mortal Kombat e uma pergunta que não quer calar: para onde foi todo aquele lixo eletrônico?

Por Sérgio Diniz | 20 de Janeiro de 2026

Se o fliperama era o lugar da disputa e da tensão, a locadora de videogame era o nosso clube social.

Estávamos no auge da transição. Os fliperamas continuavam lotados, mas agora a gente tinha um novo ritual: juntar a turma, fazer uma vaquinha e "rachar" a hora no Super Nintendo ou no Mega Drive. Era ali, regado a tubaína e salgadinho de isopor, que a gente conhecia os mundos de Super Mario World, Sonic e Streets of Rage.

Mas a verdadeira magia acontecia na sexta-feira. Era "de lei".

Eu fiz meu pai fazer cadastro em várias locadoras do bairro só para garantir essa estratégia. A regra era clara: quem alugava a fita na sexta-feira, só precisava devolver na segunda, pagando apenas uma diária. Aquilo era o nosso ouro. Sair da locadora com um Mega Man, um Kirby ou um Super Mario 3 na mão significava um fim de semana de glória.

O Choque de Realidade (e o Sonho Impossível)

Foi nessa época que os jogos de luta explodiram de vez. Nos arcades, Fatal Fury e Art of Fighting dividiam espaço com o Street Fighter II Champion Edition. Mas nada preparou a gente para o Mortal Kombat.

Lembro a primeira vez que vi aquilo. Personagens que pareciam pessoas reais? Sangue? Era assustador e fascinante ao mesmo tempo. A gente jogava aquela "coisa estranha" com um misto de medo e admiração.

E se o Super Nintendo já era considerado videogame de "playboy" para a nossa realidade, existia uma lenda urbana que era real: o Neo Geo.

Aquele console era um mito. Diziam – e era verdade – que um único cartucho dele custava o preço de um Super Nintendo inteiro! Nem as locadoras tinham. Era o sonho inalcançável, a Ferrari dos videogames que a gente só via em revista.

O Lixo de Ontem

Hoje, trabalhando com a Ecobraz e revirando montanhas de sucata eletrônica, eu fico pensando: como era feita a coleta naquela época? Ou melhor, será que era feita?

Para onde foram os controles quebrados de tanto fazer "meia-lua pra frente e soco"? Para onde foram as carcaças de plástico das locadoras que fecharam? Muito provavelmente, estão enterrados em algum lixão até hoje.

É por isso que o nosso Museu Virtual é tão importante. Ele resgata não só a máquina, mas a memória de uma época em que a felicidade custava o preço de uma ficha ou de uma hora alugada com os amigos.

O tempo passou, o Neo Geo continua caro (rs), mas a saudade daquela tubaína gelada com os amigos jogando Streets of Rage... essa não tem preço.

E olha que eu nem falei do que viria em 94, com a chegada dos trios do The King of Fighters. Mas essa história fica pra próxima.

Sérgio Diniz
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FONTE: ecobrazinforma.org
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