Crônicas do Museu
A era de ouro do aluguel de fitas, o choque do Mortal Kombat e uma pergunta que não quer calar: para onde foi todo aquele lixo eletrônico?
Por Sérgio Diniz | 20 de Janeiro de 2026
Se o fliperama era o lugar da disputa e da tensão, a locadora de videogame era o nosso clube social.
Estávamos no auge da transição. Os fliperamas continuavam lotados, mas agora a gente tinha um novo ritual: juntar a turma, fazer uma vaquinha e "rachar" a hora no Super Nintendo ou no Mega Drive. Era ali, regado a tubaína e salgadinho de isopor, que a gente conhecia os mundos de Super Mario World, Sonic e Streets of Rage.
Mas a verdadeira magia acontecia na sexta-feira. Era "de lei".
Eu fiz meu pai fazer cadastro em várias locadoras do bairro só para garantir essa estratégia. A regra era clara: quem alugava a fita na sexta-feira, só precisava devolver na segunda, pagando apenas uma diária. Aquilo era o nosso ouro. Sair da locadora com um Mega Man, um Kirby ou um Super Mario 3 na mão significava um fim de semana de glória.
Foi nessa época que os jogos de luta explodiram de vez. Nos arcades, Fatal Fury e Art of Fighting dividiam espaço com o Street Fighter II Champion Edition. Mas nada preparou a gente para o Mortal Kombat.
Lembro a primeira vez que vi aquilo. Personagens que pareciam pessoas reais? Sangue? Era assustador e fascinante ao mesmo tempo. A gente jogava aquela "coisa estranha" com um misto de medo e admiração.
E se o Super Nintendo já era considerado videogame de "playboy" para a nossa realidade, existia uma lenda urbana que era real: o Neo Geo.
Aquele console era um mito. Diziam – e era verdade – que um único cartucho dele custava o preço de um Super Nintendo inteiro! Nem as locadoras tinham. Era o sonho inalcançável, a Ferrari dos videogames que a gente só via em revista.
Hoje, trabalhando com a Ecobraz e revirando montanhas de sucata eletrônica, eu fico pensando: como era feita a coleta naquela época? Ou melhor, será que era feita?
Para onde foram os controles quebrados de tanto fazer "meia-lua pra frente e soco"? Para onde foram as carcaças de plástico das locadoras que fecharam? Muito provavelmente, estão enterrados em algum lixão até hoje.
É por isso que o nosso Museu Virtual é tão importante. Ele resgata não só a máquina, mas a memória de uma época em que a felicidade custava o preço de uma ficha ou de uma hora alugada com os amigos.
O tempo passou, o Neo Geo continua caro (rs), mas a saudade daquela tubaína gelada com os amigos jogando Streets of Rage... essa não tem preço.
E olha que eu nem falei do que viria em 94, com a chegada dos trios do The King of Fighters. Mas essa história fica pra próxima.
Sérgio Diniz
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