Por Marcio Villanova, CEO da Ecobraz Emigre.
Na segurança da informação, existe um ditado militar: "O perímetro de segurança é tão forte quanto seu ponto mais fraco". Como CEO da Ecobraz, tenho observado uma tendência alarmante. As grandes corporações blindaram suas redes digitais. Invadir um servidor na nuvem da AWS ou Azure hoje exige um esforço hercúleo de um hacker.
Então, o que os criminosos inteligentes fazem? Eles não atacam o muro da frente. Eles procuram a chave que alguém jogou no lixo. O computador, o servidor ou o roteador que sua empresa descartou mês passado é essa chave.
Imagine que você descartou um notebook de um gerente regional. O HD foi formatado (o erro clássico que abordamos em outros artigos), mas não destruído. Um cibercriminoso compra esse lote em um leilão de sucata por um valor irrisório.
O objetivo dele não é roubar as fotos de férias do gerente. Ele busca:
Com essas informações, o hacker não precisa "quebrar" sua segurança. Ele simplesmente faz login como se fosse aquele funcionário antigo. É o ataque perfeito, pois ele usa credenciais legítimas recuperadas de um hardware zumbi.
Além do acesso técnico, o lixo eletrônico fornece munição para ataques de Engenharia Social (Phishing direcionado ou Spear Phishing).
Ao recuperar e-mails antigos, listas de contatos e memorandos internos de um HD descartado, o atacante entende a cultura da sua empresa. Ele descobre quem é o diretor financeiro, como vocês falam, quais fornecedores usam. Com isso, ele pode criar um e-mail falso extremamente convincente para o atual diretor financeiro, solicitando um pagamento urgente.
Na Ecobraz, tratamos o descarte não como uma operação logística, mas como uma operação de contra-inteligência. O equipamento precisa ser sanitizado para que nenhuma "pegada digital" da sua empresa sobreviva.
Não são apenas computadores. Quando sua empresa atualiza a infraestrutura de rede, o que acontece com os roteadores, switches e firewalls antigos (Appliances)?
Esses equipamentos frequentemente contêm as "Running Configs" (configurações de execução) na memória flash. Lá estão as regras de firewall, as senhas de administração (muitas vezes padrão ou fracas) e as chaves de criptografia da rede.
Um roteador Cisco ou Juniper descartado sem um "Factory Reset" profundo e sanitização da memória NVRAM é um mapa do tesouro da sua infraestrutura. É vital que o agendamento de coleta inclua a custódia específica desses ativos de rede.
O maior desafio do CISO é o que ele não vê. O "Shadow IT" (TI das Sombras) são aqueles dispositivos que departamentos compraram sem passar pela TI central. O tablet do marketing, o servidor de arquivos que a engenharia montou por conta própria.
Esses dispositivos não têm as políticas de segurança padrão e, na hora do descarte, escapam do processo oficial. Eles vão para o lixo comum ou são doados informalmente. Eles são o elo mais fraco do elo mais fraco. Uma política de logística reversa centralizada na Ecobraz captura esses itens, garantindo que nada saia da empresa sem passar pelo "checkpoint" de segurança.
A segurança da informação é uma corrida eterna entre gato e rato. No nosso Museu Virtual, temos máquinas Enigma (réplicas) e os primeiros módulos de segurança bancária. Eles nos ensinam que o que era considerado "inquebrável" há 20 anos hoje é trivial.
Isso reforça a necessidade de destruição física. Um HD criptografado com tecnologia de 2010 pode ser seguro hoje, mas será seguro daqui a 5 anos, com a computação quântica? Provavelmente não. A destruição física do dado elimina o risco futuro da evolução tecnológica.
Sua responsabilidade de segurança não termina na porta da empresa. Ela vai até o momento em que o silício é derretido.
Para proteger sua rede contra intrusões, você precisa garantir que seus "segredos mortos" permaneçam mortos. Contrate uma logística reversa que entenda de cibersegurança. Não deixe que seu lixo eletrônico seja a arma usada contra você no próximo ataque de Ransomware. Para protocolos de limpeza de hardware de rede, consulte o Ecobraz Informa.
Marcio Villanova é CEO da Ecobraz Emigre e atua na interseção crítica entre segurança física de ativos e defesa cibernética corporativa.