Por Marcio Villanova, CEO da Ecobraz Emigre.
Existe um pesadelo recorrente para historiadores da tecnologia: o dia da "limpeza geral" em uma grande corporação. Um novo Diretor de Facilities assume, vê um depósito custando dinheiro no aluguel, cheio de caixas empoeiradas, e dá a ordem: "Liguem para a recicladora e mandem triturar tudo. Preciso dessa sala vazia até sexta-feira".
Nessa pressa por eficiência imobiliária, perdem-se tesouros. Na Ecobraz, já interceptamos, a caminho do triturador, manuais técnicos assinados pelos fundadores de empresas, protótipos de produtos que nunca foram lançados e computadores "mainframe" que processaram as primeiras folhas de pagamento digitais do Brasil.
O descarte indiscriminado apaga a identidade corporativa. Por isso, defendemos que a Logística Reversa deve incluir uma etapa crítica: a Triagem Histórica.
Não estamos falando de guardar cada mouse quebrado. A Arqueologia Corporativa é a capacidade de identificar itens que possuem significância técnica, cultural ou afetiva.
Um servidor Dell padrão de 2010 provavelmente é apenas sucata (commodities). Mas um servidor IBM AS/400 dos anos 90, com a etiqueta de patrimônio nº 001 da sua empresa, é um documento histórico. Ele conta como vocês operavam antes da nuvem. Ele materializa a evolução.
A Triagem Histórica separa o joio do trigo. Ela garante que os metais sejam recuperados da sucata comum, mas que a "alma" da empresa seja preservada nos itens especiais.
Diferente de sucateiros que olham apenas para o peso do cobre, nossa equipe é treinada em história da computação. Durante o processamento do material coletado via agendamento, seguimos um protocolo:
Muitos gestores perguntam: "O que eu ganho com isso?". A resposta é Brand Equity (Valor de Marca).
Quando um item da sua empresa é selecionado para o Museu Virtual do Eletrônico, sua marca ganha uma página de história. Você pode usar isso em campanhas de aniversário da empresa ("Olhem como era nossa tecnologia há 30 anos"), em ações de endomarketing ou em relatórios de sustentabilidade, mostrando respeito pelo passado.
Em vez de ser a empresa que gera lixo, vocês se tornam a empresa que gera cultura. É uma mudança de narrativa poderosa e gratuita.
Se você está planejando limpar o "cemitério de TI" da sua empresa, siga estas três regras de ouro:
Empresas de engenharia e manufatura muitas vezes descartam protótipos de P&D. Esses itens são únicos no mundo. Eles mostram a tentativa e erro da inovação.
A preservação desses itens (respeitando, claro, o segredo industrial e o tempo de confidencialidade) é vital para inspirar futuros engenheiros. Eles ensinam que o fracasso é parte do processo de criação.
Uma vez que o metal é moído, não há volta. A decisão de preservar acontece em segundos, na triagem.
Na Ecobraz, nós somos a última barreira entre a história e o esquecimento. Confie seus ativos a quem sabe a diferença entre lixo e legado. Se sua empresa está pronta para descartar com inteligência e cultura, acesse nossos guias no Ecobraz Informa.
Marcio Villanova é CEO da Ecobraz Emigre e acredita que cada equipamento salvo é uma aula de história que deixamos para o futuro.