Por Marcio Villanova, CEO da Ecobraz Emigre.
No mercado financeiro e de tecnologia, a palavra "ONG" às vezes carrega um estigma injusto de fragilidade ou amadorismo. É comum ouvir: "Ah, mas se é uma ONG, o negócio não é sustentável". Como CEO da Ecobraz, venho a público para corrigir essa miopia.
Ser uma Organização Não Governamental (ONG) é uma escolha jurídica e ética, não uma limitação operacional. Significa que escolhemos reinvestir 100% do nosso excedente na nossa missão, em vez de pagar dividendos a acionistas. Mas, na prática do dia a dia, operamos com a eficiência, a tecnologia e o compliance de uma grande empresa de logística.
Ninguém questiona a idoneidade do Médicos Sem Fronteiras ou do Greenpeace. Essas instituições operam orçamentos milionários, logística de guerra e salvam vidas. Elas existem porque o Estado e o Mercado falham em atender certas demandas sociais e ambientais.
A Ecobraz segue o mesmo princípio. O Estado falha na coleta porta a porta de lixo eletrônico. O Mercado (empresas privadas puras) só quer o "filé mignon" (ouro e cobre) e rejeita o plástico e o vidro. Nós assumimos a responsabilidade integral. Assim como o Exército da Salvação vende produtos doados para financiar sua obra, nós vendemos Créditos de Carbono e Tokens para financiar a nossa logística reversa gratuita.
Confiança não se compra; se constrói com tempo. A Ecobraz não nasceu ontem no hype das criptomoedas. Temos 16 anos de CNPJ ativo e limpo. Atravessamos crises econômicas, pandemias e mudanças de governo sem nunca interromper nossa operação.
Nossa reputação é ilibada. Não temos passivos trabalhistas explosivos, não temos escândalos de desvio de função e nossa relação com os órgãos ambientais (CETESB/IBAMA) é de total conformidade. Para um investidor ou parceiro corporativo, esse histórico de quase duas décadas é a maior garantia de que não somos uma "aventura". Estaremos aqui amanhã, assim como estivemos nos últimos 6.000 dias.
No mundo dos ativos digitais, muitos projetos existem apenas em um servidor na nuvem. A Ecobraz existe na Rua Frederico Severo, 40, em São Paulo. Nossos portões abrem todos os dias úteis.
Atendemos presencialmente mais de 80 pessoas por dia — cidadãos comuns que vêm trazer seus equipamentos, empresas parceiras, escolas e coletores. Qualquer pessoa que duvide da "existência" do nosso lastro ou da nossa operação é convidada a vir tomar um café, ver os caminhões descarregando e visitar nosso Museu Virtual físico.
Essa "Transparência Radical" é nosso escudo. Não temos caixas-pretas. Nossos processos de manufatura reversa são auditáveis e visíveis.
Ao lançar o Ecobraz Carbon Token, não criamos um ativo especulativo. Criamos uma ferramenta de rastreabilidade e financiamento. A blockchain nos permite provar publicamente quanto reciclamos e garantir que o mesmo crédito de carbono não seja vendido duas vezes (o problema do "double counting").
O Token é a modernização da doação. Em vez de pedir uma doação a fundo perdido, oferecemos um ativo digital que carrega valor ambiental, prova de impacto e potencial de valorização conforme a demanda por serviços ambientais cresce.
A Ecobraz é uma instituição sólida. Nossa "vulnerabilidade" de depender de financiamento externo é, na verdade, nossa força motriz: ela nos obriga a sermos transparentes e a entregarmos resultados constantes para manter a confiança da sociedade.
Se você busca um parceiro de ESG, ou um projeto de carbono para investir, olhe para quem tem "tempo de tela" no mundo real. Olhe para quem tem caminhão na rua e gente trabalhando. A Ecobraz é a prova de que é possível unir o coração de uma ONG com a eficiência de uma Tech Company.
Marcio Villanova é CEO da Ecobraz Emigre e lidera uma organização que prova, há 16 anos, que sustentabilidade e eficiência operacional andam de mãos dadas.