Por Sérgio Diniz, colunista.
As notícias e, principalmente, as imagens que chegam de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, nesta manhã de sábado (8/11) são de guerra. Um tornado. Não foi uma "chuva de verão" ou um "temporal forte". Foi um tornado, aqui no Brasil.
Rodei por 21 anos como caminhoneiro, cruzei o Paraná centenas de vezes. Já peguei muita tempestade na estrada, daquelas de parar o caminhão no posto e esperar. Mas "tornado" era uma palavra que a gente só ouvia em filme americano, não em um município paranaense.
A Defesa Civil do Paraná já está na cidade, que está devastada. Ginásio destruído, casas sem telhado, postes no chão. Moradores relatam um barulho ensurdecedor, clássico desse tipo de fenômeno. Enquanto isso, o mesmo sistema de instabilidade causava estragos com ventos de mais de 100km/h em várias cidades do oeste de São Paulo.
O que me preocupa, como colunista do Ecobraz Informa, é que isso não pode mais ser tratado como um "acaso".
Os meteorologistas do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e do Simepar certamente confirmarão a força do funil. Mas o diagnóstico mais importante já foi dado há anos.
Não podemos mais tratar eventos assim como "fatalidades". Eles são sintomas. O planeta está mais quente, e isso não é opinião, é física.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que é a maior autoridade científica do mundo no assunto, afirma em seus relatórios que o aquecimento global aumenta, sim, a frequência e a intensidade de eventos extremos como este aqui no Brasil.
O que vimos em Rio Bonito do Iguaçu não é um ponto fora da curva; é a nova curva. É o "novo normal" que a ciência nos avisou há 30 anos que chegaria. E ele chegou.
Quando eu estava na estrada, minha preocupação era a aquaplanagem. Hoje, como cidadão e colunista, minha preocupação é se a infraestrutura das nossas cidades vai aguentar.
A pergunta que fica no ar, depois que o vento passa e vemos a destruição em Rio Bonito, é: estamos preparados?
Nossas redes elétricas, nossas casas, nossos ginásios, tudo isso foi projetado para um clima que não existe mais. A tragédia de hoje é o aviso final para o que teremos amanhã.
Ignorar isso não é uma opção. Não se trata de política; trata-se de realidade. Essa nova frequência de tempestades severas afeta o preço da comida (pela destruição na agricultura), o custo da energia (pelas quedas e reparos) e, o mais importante, a segurança das nossas famílias.
Como colunista de um veículo focado em meio ambiente, sinto que é meu dever dizer: precisamos levar esses alertas a sério. Toda minha solidariedade ao povo de Rio Bonito do Iguaçu.
O que vimos nesta madrugada é um alerta ensurdecedor. O clima mudou. Precisamos mudar nossa forma de planejar e construir nossas cidades.